Revival

Ficha técnica
Título Original: Revival
Título Traduzido: Revival
Ano de Publicação: 2014
Páginas: 376 (Edição de 2015 – Editora Suma)
Data de Publicação nos EUA: 11/11/2014
Personagens: Charles Jacobs, Jamie Morton, Conrad Morton, Claire Morton, Richard Morton
Conexões: A Torre Negra, Trocas Macabras, ‘Salem; Joyland
Personagens Citados: –
Disponível no Brasil pelas Editoras: Suma de Letras (2015)
Sobre o livro
Charles Jacobs, um carismático pregador de Deus, chega à pequena cidade de Harlow com sua esposa e seu filhinho, encantando a todos que vivem lá. Dentre os cidadãos maravilhados, está Jamie, um garotinho apaixonado por música. Certo dia, uma tragédia recai sobre Jacobs, que amaldiçoa Deus e é expulso da chocada cidade. Décadas depois, Jamie, que também vivenciou suas próprias tragédias ao longo dos anos, reencontra Charles Jacobs, e esta reunião fará com que os mais aterrorizantes significados da palavra Ressurreição sejam revelados.
Resenha
Revival, um dos livros mais sombrios e existenciais de Stephen King, explora o conflito eterno entre vida e morte, fé e dúvida, e as consequências de buscar a transcendência sem entender completamente o que se está buscando. O romance é uma reflexão profunda sobre o desejo humano de entender o além, de desafiar os limites da morte, e de como a obsessão com essas questões pode levar a consequências devastadoras. A história segue o reverendo Charles Jacobs, um pregador carismático que experimenta um evento trágico que o leva a abandonar sua fé e a se dedicar a experiências com a ressurreição, e o protagonista, Jamie Morton, que acompanha a trajetória de Jacobs ao longo dos anos, desde sua infância até a idade adulta.
A metáfora central de Revival é o próprio conceito de “revival” — a ideia de reanimar algo que está morto, seja um corpo, uma alma ou uma ideia. Jacobs, como personagem, é a personificação dessa obsessão. Sua busca incansável por reanimar os mortos, inicialmente começando com experiências de cura, acaba se transformando em uma busca pela ressurreição da vida após a morte. O ato de “reviver” é uma metáfora para a tentativa humana de controlar o incontrolável, de buscar poder sobre aquilo que não se pode compreender. O reverendo Jacobs é como um cientista ou alquimista, em busca de respostas para os maiores mistérios da existência, mas sua descoberta, no final, revela o quão pequena e efêmera é a compreensão humana frente ao grande abismo do desconhecido.
O livro é permeado por uma sensação crescente de desespero e tragédia. A ideia de que qualquer tentativa de desafiar a morte é fútil, e que os seres humanos são, em última instância, impotentes diante do mistério da existência, se torna cada vez mais clara conforme a narrativa avança. A experiência de Jamie, que testemunha o impacto do trabalho de Jacobs em sua vida e na vida dos outros, reflete a busca pessoal e espiritual de muitos — o desejo de encontrar algo além da dor e da perda, mas também o reconhecimento de que talvez não haja respostas definitivas. Essa jornada de Jamie pode ser vista como uma metáfora para o processo de amadurecimento e aceitação da finitude da vida, onde ele, a partir de suas próprias experiências, passa a compreender que a busca por algo maior pode ser uma viagem solitária e, por vezes, decepcionante.
A relação entre Jamie e Jacobs é central para a narrativa, funcionando como uma analogia para a relação entre a fé e a dúvida, o bem e o mal, e o conhecido e o desconhecido. Jamie, como protagonista, representa o ser humano comum que, em algum momento de sua vida, se depara com uma verdade desconfortável sobre o mundo e a existência. Jacobs, por outro lado, representa a figura do profeta caído, aquele que começa com boas intenções, mas é corrompido pela busca incessante por poder e compreensão. Sua queda, marcada pela perda de sua fé e pela obsessão com a ressurreição, é uma crítica à cegueira espiritual que muitas vezes acompanha aqueles que tentam manipular o desconhecido sem a devida cautela.
O simbolismo da morte e da ressurreição é aprofundado através da própria linguagem do livro. A morte é retratada não como um fim, mas como algo que está constantemente ao alcance, espreitando nas sombras da vida cotidiana. A “revival” de Jacobs é um reflexo de sua incapacidade de aceitar a morte como parte natural da existência humana, o que o leva a fazer escolhas morais cada vez mais questionáveis. Sua busca pela transcendência, à medida que avança de cura espiritual para ressurreição física, se torna uma analogia para a busca humana por algo além da vida — uma busca que, como a história sugere, pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição.
A transformação do reverendo Jacobs ao longo do livro é notável, à medida que ele se desvia de um homem de fé para alguém que abraça a ciência de forma distorcida, tentando controlar o que é impossível. Essa transição reflete um simbolismo mais amplo sobre os limites da ciência, da religião e da espiritualidade humana. A visão científica de Jacobs, como algo capaz de trazer a vida de volta, acaba sendo uma representação distorcida da ciência como uma força cega, imbuída de uma arrogância que ignora as consequências e os limites do conhecimento humano.
O livro também traz uma forte conexão com o medo do desconhecido e a necessidade de controle sobre o que não entendemos. A ressurreição, em vez de ser um evento que traz cura e redenção, acaba revelando as terríveis consequências de tentar desafiar as leis naturais do universo. A viagem de Jamie para compreender e, de alguma forma, parar Jacobs é, em muitos aspectos, uma luta para restaurar um equilíbrio perdido, onde a morte tem seu lugar e a vida deve ser vivida com humildade.
Por fim, Revival é uma obra que não apenas desafia os limites da ficção de terror, mas também convida o leitor a refletir sobre as questões filosóficas mais profundas da existência humana. A busca de Jacobs por transcender a morte é uma metáfora para a luta humana contra a inevitabilidade do fim, enquanto a jornada de Jamie é uma busca por compreensão e aceitação. O romance, embora baseado em um pano de fundo de horror sobrenatural, é, na verdade, uma meditação sobre a natureza da vida, da morte, e do que pode ou não existir além dela.
Curiosidades
- Romance anunciado no dia 20 de junho de 2013, durante um bate-papo virtual com o autor que promovia a estreia da série Under the Dome.
- King dedica o livro a grandes nomes da literatura do horror/gótico: Mary Shelley (Frankenstein); Bram Stoker (Drácula); H.P. Lovecraft (O Chamado de Cthulhu); Clark Ashton Smith (O Império dos Necromantes); Donald Wandrei (Colossus); Fritz Leiber (As Crônicas da Espada); August Derleth (Thoreau: O Rebelde de Concord); Shirley Jackson (A Assombração da Casa da Colina); Robert Bloch (Psicose) e Peter Straub (Os Mortos Vivos).
- O romance apresenta uma personagem chamada Janice Shelley, que casou-se com um rapaz chamado Franklin/Frank, resultando numa filha chamada Mary, que por sua vez teve um filho chamado Victor. Na vida real, Mary Shelley (1797 – 1851) foi a autora e criadora do livro que apresentou ao mundo a lendária criatura de Victor Frankenstein.
- A primeira canção que Jamie aprende a tocar no violão é “Cherry, Cherry”, de Neil Diamond. Esta também foi a primeira canção que o próprio King aprendeu a tocar no instrumento.
Referências Locais
- As cidades de Castle Rock de Trocas Macabras e A Metade Negra e Gates Falls de Último Turno, de Sombras da Noite e Fúria e Jerusalem’s Lot, de ‘Salem, são cidades do cânone de King mencionadas no livro.
- O “Tigre Manso”, barzinho de Castle Rock visto no romance Trocas Macabras, é mencionado.
- É mencioda a cidade de Harlow, cidade criada por King onde acontece a história, faz fronteira pelo oeste e sudoeste com Chester’s Mill, local onde ocorre a ação de Sob a Redoma. Os meninos da noveleta O Corpo, do livro Quatro Estações, segue o trilho do trem que passa por Harlow.
Referências de Personagens
- Dorrance Marstellar do livro Insônia é mencionado.
Referências Narrativas
- Jamie Morton comenta que “A vida é como uma roda, e ela sempre volta para o lugar onde começou” fazendo uma referência ao ka.
- O livro De Vermis Mysteriis (“Os Mistérios do Verme”) é mencionado, o livro aparece pela primeira vez no conto Jerusalem’s Lot.
- O personagem Charles Jacobs menciona que já trabalhou num certo parque de diversões chamado Joyland.
Assuntos Recorrentes
- O poder da religião sobre as pessoas vulneráveis
- Rosas como uma força do bem (Aos 14 anos, Jamie Morton passa a integrar sua primeira banda, “Chrome Roses” (Rosas Cromadas), que de acordo com seu líder, costumava se chamar “Gunslingers” (Pistoleiros), algo que remete à saga A Torre Negra, assim como o elemento das “rosas”)