O Talismã

Ficha técnica

Título Original: The Talisman
Título Traduzido: O Talismã (1985 – Presente)
Ano de Publicação: 1984
Data de Publicação nos EUA: 08/11/1984
Personagens Principais: Jack Sawyer, Speedy Parker, Morgan Sloat, Richard Sloat, Lobo
Cidade da História: Territórios
Estados da História: Maine
Adaptações: —
Derivados:
Disponível no Brasil pelas Editoras: Disponível no Brasil pelas Editoras: Francisco Alves (1985); Objetiva (2000); Planeta DeAgostini (2004); Objetiva (2007); Ponto de Leitura (2013); Editora Suma (2013)

Sobre o livro

Jack Sawyer é um garoto que recentemente se mudou com sua moribunda mãe para um hotel deserto em Arcadia Beach, Nova Hampshire. Lá, ele conhece Speedy Parker, o zelador do local que parece saber mais do que aparenta. Speedy conta a Jack que existe um meio de salvar sua mãe do câncer que a aflige: ele deve se aventurar a atravessar para uma realidade conhecida como “territórios”, e lá procurar e encontrar um poderoso talismã. A jornada de Jack não será simples, pois o antigo sócio de seu falecido pai, Morgan Sloath, sabe da existência dos territórios, e planeja se aproveitar dos poderes do local para dominar os dois mundos.

Resenha

Publicado em 1984, O Talismã é uma obra que emerge como uma jornada épica de descoberta, coragem e sacrifício. Escrito em colaboração com Peter Straub, o livro combina o estilo vívido e visceral de King com a narrativa atmosférica e densa de Straub. Mais do que um conto de aventura, O Talismã é uma meditação sobre o poder do amor filial, a dualidade do bem e do mal e as conexões intrínsecas entre mundos aparentemente distintos.

A história acompanha Jack Sawyer, um garoto de 12 anos que atravessa os Estados Unidos em busca do “Talismã”, um objeto místico capaz de salvar sua mãe, moribunda devido ao câncer. Paralelamente, Jack descobre os “Territórios”, uma realidade alternativa paralela ao nosso mundo, repleta de criaturas sobrenaturais, vilões perturbadores e aliados inesperados. O livro alterna entre esses dois mundos, explorando como cada um reflete e distorce aspectos do outro.

A narrativa, apesar de sua extensão, mantém o leitor cativo graças à fluidez com que transita entre os gêneros: horror, fantasia, aventura e até uma pitada de road movie. Essa intersecção de estilos reflete a visão multifacetada da realidade apresentada pelos autores, onde os limites entre o comum e o extraordinário são constantemente borrados.

Uma das maiores forças do livro está em suas metáforas e no uso do simbolismo. Os Territórios, por exemplo, não são apenas um mundo alternativo, mas uma alegoria para as camadas ocultas da realidade humana, onde os medos e os desejos mais profundos se manifestam. Jack, com sua travessia, é um arquétipo do herói clássico, mas sua jornada é mais interna do que externa. Ele não está apenas salvando sua mãe ou o mundo dos Territórios, mas também a si mesmo – de suas inseguranças, de sua solidão e da perda iminente da infância.

O Talismã, por sua vez, é um símbolo multifacetado: representa a cura, mas também o sacrifício; é a chave para a restauração, mas exige que Jack enfrente seus maiores medos. Assim, a busca pelo objeto é, em última análise, uma metáfora para a maturidade – um processo doloroso, mas necessário, de aceitação e transformação.

King e Straub também usam a trama para explorar questões socioculturais. A América decadente percorrida por Jack é um espelho das desigualdades e injustiças do mundo real, enquanto os Territórios, com sua magia e brutalidade, são uma analogia à natureza humana em seu estado mais puro – ao mesmo tempo criativa e destrutiva.

O vilão Morgan Sloat, que atua tanto no mundo real quanto nos Territórios, encarna o arquétipo do poder corrupto e inescrupuloso, representando os males do capitalismo desenfreado e da ganância. Sua contraparte nos Territórios não é apenas uma extensão de sua personalidade, mas uma amplificação de sua essência perversa, reforçando a ideia de que as ações no mundo real reverberam em outras esferas.

Embora seja uma obra autônoma, O Talismã dialoga profundamente com outros trabalhos de Stephen King, especialmente A Torre Negra. A ideia de universos paralelos e de uma missão quase messiânica é central em ambas as séries, e Jack pode ser lido como uma espécie de precursor de Roland Deschain, compartilhando com ele a determinação e o peso de responsabilidades muito maiores do que sua idade ou experiência deveriam permitir.

O Talismã é uma obra de peso, que vai muito além de sua premissa inicial. É um livro que exige do leitor não apenas imaginação, mas reflexão. A jornada de Jack Sawyer ressoa porque, em última instância, é sobre todos nós – sobre nossos próprios territórios internos, nossos medos e nossas esperanças.

Embora seja um livro longo e, por vezes, excessivamente descritivo, suas recompensas são inegáveis. É uma leitura que deixa marcas, evocando tanto o prazer da fantasia quanto as verdades mais cruas da existência. Um clássico moderno que reafirma o poder da narrativa em conectar mundos, sejam eles fictícios ou reais.

Referências Locais

  • Lobo menciona que durante a sua transformação evitou lugares sagrados, pois em lugares sagrados ele não podia matar.
  • Morgan Sloat é de Akron, Ohio. Apesar de Akron realmente existir, King provavelmente escolheu o nome por ser parecido com a palavra “Aqueron” (infortúnio, em grego). Na mitologia grega, o Rio Aqueron ficava no mundo dos mortos, controlado pelo deus Hades. O rio separava o portão dos mortos, do reino de Hades, e para atravessar seria necessário pagar moedas de ouro ao barqueiro Caronte. Leland Gaunt também é menciona Akron em Trocas Macabras. 

Referências Narrativas

  • O motorista do carro durante a tentativa de rapto de Jack tinha olhos que mudaram de cor de azul para amarelo. Usava em um terno preto, e sua mão mudava de forma para uma garra, este parece ser um Can-Toi/Homens Baixos dos livros A Torre Negra.
  • Um dos caronistas de Jack, Emory W. Light mente que é diretor-presidente de um banco em Paradise Falls em Ohio. Em Sonambulos, Charles Brady também mente ser de Paradise Falls
  • Jack Sawyer pode migrar entre realidades, tem pressentimentos e uma conexão mental com Lobo, sendo um possível iluminado.
  • Aqui também é iniciado o conceito dos duplos, um grupo das crianças do Colegio Thayer tem Duplos que atacam Jack e Richard.
  • Depois que Jack escapa da Casa Sunlight, ele recebe carona de um cara que lhe dá o casaco, e eles descem logo depois da cidade chamada Danville, assim como o sobrenome de Patrick Danville.
  • Esta é a cena em que Jack está no Hotel Agincourt, e ele está lutando contra o último dos cavaleiros. Ele está descrevendo seu entorno enquanto ele está folheando uma vasta quantidade de mundos, e descreve a visão de muitas pessoas que “eram belas, mas condenadas, e assim os fantasmas que sempre parecem viver”. Isto é muito semelhante a quando Roland está subindo a Torre Negra no último livro, e vê em cada nível pessoas diferentes de uma maneira similar, tanto aquelas que ele conheceu ao longo da sua jornada como aquelas que ele não conheceu, e foram descritas como quase como fantasmas.
  • O número 19, famoso número místico da série A Torre Negra, aparece varias vezes durante o livro:
  • A Trama do livro se passa em 1981 – 1+9+8+1 =19;
  • É dito que o Sunlight Gardener, pega jovens aos 12 anos para a Casa Sunlight e os solta aos 19 anos.
  • Na casa Sunlight, um dos rapazes, Yellin ganhou em uma semana dois dólares e 19 centavos.
  • No Século XIX (19), Springfield é um dos maiores entrepostos ferroviários.

Referências a personagens

  • Próximo do final do livro, há uma possível referência a um dos pseudônimos de Randel Flagg, Walter O’Dim.

Assuntos Recorrentes

  • Neste livro tem evidência de que as realidades são finas, Speedy menciona a Jack que há pessoas com os pés em dois mundos.
  • Humor usado para derrotar o mal, dentro do Hotel Agincourt, Jack Sawyer grita e logo em seguida ri para as armaduras que defedem o Talismã.

Menções e Referências em Outros Livros

  • Lily Cavanaugh estava em um filme chamado Blaze. Mesmo nome de um livro publicado por Stephen King sob o pseudônimo de Richard Bachman. Infelizmente essa referência se perdeu nas traduções do Brasil.
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