Fenda no Tempo (1995)
Ficha Técnica
Nome do filme: Fenda no Tempo (Stephen King’s The Langoliers)
Adaptação do livro: Novela “Os Langoliers” (The Langoliers), publicada na coletânea Depois da Meia-Noite (Four Past Midnight, 1990)
Diretor: Tom Holland
Ano de lançamento: 1995
Duração: 180 minutos (minissérie televisiva em 2 partes)
Elenco principal: Patricia Wettig, Dean Stockwell, David Morse, Mark Lindsay Chapman, Frankie Faison, Bronson Pinchot, Christopher Collet e Kate Maberly
Link do IMDB: The Langoliers no IMDb
Onde assistir: Youtube
Trailer
Sinopse
Durante um voo noturno de Los Angeles para Boston a bordo de um Boeing 767, dez passageiros acordam e descobrem algo aterrorizante: todos os outros passageiros e a tripulação desapareceram sem deixar vestígios, deixando para trás apenas objetos pessoais como relógios, obturações dentárias e marcapassos. Um dos passageiros, o piloto de testes Brian Engle, assume os controles do avião e consegue pousar a aeronave no Aeroporto Internacional de Bangor, no Maine. No entanto, ao desembarcarem, o grupo encontra um mundo bizarro e desprovido de vida: não há vento, o ar não tem cheiro, a comida não tem gosto, os ecos não ressoam e o som do tempo parece ter parado. Eles logo percebem que caíram em uma fenda temporal e ficaram presos no “ontem” — um passado morto que está prestes a ser devorado pelos Langoliers, criaturas monstruosas encarregadas de consumir a matéria do tempo que ficou para trás.
Crítica (Sem Spoilers)
Dirigida por Tom Holland (famoso por dirigir clássicos como A Hora do Espanto e Brinquedo Assassino), Fenda no Tempo é uma obra-prima do suspense conceitual e da claustrofobia, focando no mistério progressivo e no desenvolvimento psicológico de seus personagens isolados.
O grande triunfo da produção reside na dinâmica do seu elenco heterogêneo. David Morse entrega uma atuação serena e firme como o piloto Brian Engle, enquanto Dean Stockwell brilha no papel do escritor de ficção científica Bob Jenkins, servindo como a mente dedutiva que decifra as leis bizarras do novo ambiente. Contudo, o grande destaque dramático vai para Bronson Pinchot na pele do instável Craig Toomy: sua atuação obsessiva, pautada por um colapso mental progressivo e pelo tique nervoso de rasgar tiras de papel, constrói uma ameaça humana tão perigosa quanto o mistério sobrenatural do lado de fora.
O filme acerta em cheio na construção de uma atmosfera perturbadora e melancólica. A ausência de sons ambientes normais e o clima de desolação do aeroporto abandonado geram uma sensação constante de desconforto e urgência. Embora os efeitos visuais computadorizados das criaturas no clímax tenham envelhecido bastante devido às limitações orçamentárias da TV dos anos 90, o suspense psicológico e a premissa fascinante mantêm o espectador preso do início ao fim.
Com um conceito de viagem no tempo único e inusitado, Fenda no Tempo permanece como um cult nostálgico indispensável que demonstra a habilidade ímpar de Stephen King em transformar medos abstratos em histórias profundamente envolventes.