Ascensão

Ficha técnica
Título Original: Elevation
Título Traduzido: Ascensão
Ano de Publicação: 2018
Páginas: 144 Páginas (Editora Suma)
Data de Publicação nos EUA: 30/10/2018
Personagens: Scott Carey, Dr. Bob Ellis, Myra Ellis, Deidre McComb e Missy Donaldson
Conexões: Zona Morta, Cujo, A Pequena Caixa de Gwendy
Personagens Citados: George Bannerman
Sobre o livro
Tudo gira em torno de Scott Carey, que começa a perder peso, porém sem apresentar qualquer mudança em sem manequim ou corpo. Preocupado, se consulta com o médico Bob Ellis que se torna seu confidente. Além da doença, Scott precisa ser político, já que suas vizinhas lésbicas precisam lidar com o boicote dos moradores de Castle Rock, pois não querem um restaurante onde as donas são gays. O preconceito enfrentado pelas mulheres sensibiliza Scott, que também sofre com olhares “tortos”, por conta do seu estado de saúde.
Resenha
Em Ascensão, Stephen King apresenta uma narrativa aparentemente simples, mas repleta de significados profundos, ao contar a história de Scott Carey, um homem que experimenta uma misteriosa perda de peso, mas, paradoxalmente, sem nenhuma alteração visível em sua aparência. A premissa, à primeira vista, pode parecer uma exploração de um fenômeno sobrenatural, mas o verdadeiro cerne da obra está na transformação emocional e espiritual de seu protagonista. King, como sempre, utiliza a metáfora de uma condição inexplicável para falar de questões muito mais amplas sobre a natureza humana, as relações sociais e os desafios da vida.
A perda de peso de Scott, que ocorre sem nenhuma explicação médica, é uma poderosa metáfora para as lutas invisíveis e internas que todos enfrentamos. À medida que ele perde peso, ele experimenta uma sensação crescente de elevação, mas essa ascensão não é física, e sim espiritual. A metáfora do “peso” se torna um símbolo para os fardos invisíveis que carregamos, sejam eles de natureza emocional, psicológica ou social. A jornada de Scott é, em muitos aspectos, uma reflexão sobre como as limitações pessoais e os preconceitos da sociedade nos moldam e nos impedem de alcançar nosso verdadeiro potencial.
O título Ascensão reflete essa ideia de transcendência. Não se trata apenas da perda física de peso, mas da superação de questões profundas e, em muitos casos, de autoaceitação. Scott, inicialmente cético e desconcertado com o que está acontecendo com ele, começa a perceber que a ascensão não é algo relacionado à sua aparência, mas à sua capacidade de ver o mundo de uma maneira diferente e de lidar com suas próprias falhas e limitações. Essa transformação não é fácil e exige de Scott um enfrentamento constante de seus próprios medos e preconceitos.
Além disso, Ascensão também trabalha com o simbolismo das relações interpessoais e da tensão social. Em sua cidade, Scott se vê envolvido em questões ligadas à aceitação e ao preconceito, especialmente em relação a um casal de lésbicas que, apesar da crescente tolerância da comunidade, ainda enfrenta resistência. King utiliza essas interações para questionar o conceito de “elevação” social e humana. Scott não só se vê mudado pela sua condição física, mas também se torna mais atento e empático em relação aos outros. A maneira como ele lida com seus próprios preconceitos e começa a abraçar a diversidade de experiências humanas é um reflexo de uma ascensão mais profunda do que a simples alteração física.
Há também uma crítica sutil às estruturas sociais e à forma como elas moldam nossas percepções e julgamentos. A ideia de que Scott está “subindo” em sua consciência, mesmo quando o seu corpo não apresenta os sinais externos dessa mudança, é uma analogia poderosa sobre o verdadeiro significado de crescimento e evolução. Enquanto a sociedade valoriza apenas o que é visível, o que realmente importa — as qualidades humanas, a capacidade de amar e de se conectar com os outros — frequentemente passa despercebido. O fenômeno de Scott não apenas desafia essa visão superficial da vida, mas sugere que a verdadeira ascensão vem de um lugar interno e intangível.
O livro também explora o conceito de morte e finitude, algo que permeia todas as obras de King. Embora Ascensão seja uma história de transformação, ela também está imbuída de uma consciência de que a vida é limitada e que, ao longo dessa trajetória, é necessário encontrar significado e propósito. A ascensão de Scott, então, não é uma fuga das dificuldades da vida, mas uma aceitação da sua condição e um convite à reflexão sobre como podemos ser mais humanos, mais gentis e mais conscientes de nosso impacto no mundo.
No final, Ascensão é uma obra que, embora breve, não deixa de provocar uma profunda reflexão sobre o que significa verdadeiramente crescer. Com sua habilidade característica de misturar o sobrenatural com o psicológico e o social, King oferece uma narrativa que vai muito além da trama de um homem perdendo peso. Ele nos apresenta uma história sobre as coisas que realmente importam: a capacidade de ver além da superfície, a luta contra os preconceitos internos e a aceitação de quem somos, independentemente dos fardos que carregamos. O livro é, assim, uma meditação sobre a ascensão não como um fenômeno físico, mas como um processo de transcendência espiritual e emocional.
Curiosidades
- De acordo com o autor, o livro é uma espécie de continuação de A Pequena Caixa de Gwendy.
Referências Locais
- A história se passa em Castle Rock.
- A queda das escadarias suicidas descrita em A Pequena Caixa de Gwendy é mencionada novamente.
Referências de Personagens
- Depois que o Xerife George Bannerman é assassinado em Cujo, uma das ruas é nomeada em sua homenagem.
Referências Narrativas
- Scott tem medo de chamar a atenção do jornal “Inside View” por causa de sua perda de peso inexplicável, e pode até aparecer ao lado de uma foto do panfleto noturno, a mesma revista vista no romance A Zona Morta, no conto O Piloto da Noite, e em tantas outras histórias de King.
- Deirdre McComb foi o número 19 na Maratona de Nova York.
- Uma banda da escola chama-se Pennywise and the Clowns.