A Torre Negra: O Pistoleiro — As Irmãzinhas de Eluria (2010)
Ficha Técnica
Título da HQ: A Torre Negra: O Pistoleiro — As Irmãzinhas de Eluria (The Dark Tower: The Gunslinger – Little Sisters of Eluria)
Baseado em: Conto As Irmãzinhas de Eluria (The Little Sisters of Eluria, 1998; publicado na coletânea Tudo é Eventual) de Stephen King
Roteiro / Adaptação: Peter David (com enredo e supervisão de Robin Furth e consultoria executiva de Stephen King)
Arte / Ilustração: Luke Ross (Lápis e Nanquim) e Richard Isanove (Cores)
Editora Original: Marvel Comics
Período de Publicação: Dezembro de 2010 – Abril de 2011 (Minissérie em 5 edições)
Editora no Brasil: Inédito no Brasil (A adaptação em quadrinhos deste arco não foi lançada oficialmente no mercado editorial brasileiro)
A História
Ambientado cronologicamente pouco antes dos eventos da cidade de Tull, este arco adapta o famoso conto de Stephen King que explora um episódio de quase morte na jornada solitária de Roland Deschain. Em sua perseguição ao Homem de Preto através das terras desoladas de Desatoya, Roland chega à cidade fantasma de Eluria. Ao investigar o local aparentemente abandonado, o Pistoleiro é emboscado e gravemente ferido por uma horda de mutantes conhecidos como Slow Muties. Ele acorda convalescente em um hospital de campanha mantido pelas “Irmãzinhas”, uma ordem de freiras misteriosas e aparentemente caridosas lideradas pela Irmã Mary. No entanto, Roland logo descobre que as enfermeiras são na verdade vampiras parasitas antigas que usam Insetos Médicos (bugs) para anestesiar suas vítimas antes de drenar seu sangue e suas almas até a morte.
Análise
A adaptação de As Irmãzinhas de Eluria destaca-se por transpor uma das raras histórias em formato curto que Stephen King dedicou ao universo do Mundo Médio. O roteiro de Peter David e Robin Furth constrói com habilidade uma atmosfera de suspense claustrofóbico, em que a sensação de incapacidade física e vulnerabilidade de Roland contrasta diretamente com a ameaça gótica e bizarra representeda pelas freiras.
A arte traz a estreia do brasileiro Luke Ross nos lápis da franquia, sucedendo Sean Phillips. O traço detalhado, elegante e dinâmico de Ross consegue transmitir tanto a fragilidade física do protagonista debilitado quanto o terror grotesco e ocultista do hospital das Irmãzinhas. A transição visual das freiras — de figuras piedosas em hábitos brancos para monstruosidades com presas e rostos de Inseto — é executada de forma impressionante. A colorização de Richard Isanove une o tom clínico e pálido do enfermeiro com lampejos de vermelho-sangue, mantendo a identidade estética sombria que marca a série. Inédito no Brasil, o arco é um exemplar marcante de terror gótico inserido no vasto cenário do faroeste fantástico de A Torre Negra.