A Torre Negra: O Pistoleiro — A Batalha de Tull (2011)
Ficha Técnica
Título da HQ: A Torre Negra: O Pistoleiro — A Batalha de Tull (The Dark Tower: The Gunslinger – The Battle of Tull)
Baseado em: Segunda parte do romance A Torre Negra: O Pistoleiro (The Dark Tower: The Gunslinger, 1982) de Stephen King
Roteiro / Adaptação: Peter David (com enredo e supervisão de Robin Furth e consultoria executiva de Stephen King)
Arte / Ilustração: Michael Lark (Lápis e Nanquim) e Richard Isanove (Cores)
Editora Original: Marvel Comics
Período de Publicação Original: Junho de 2011 – Outubro de 2011 (Minissérie em 5 edições)
Editora no Brasil: Inédito no Brasil (A Panini encerrou as publicações no país ao fim do arco da juventude de Roland; as adaptações diretas do primeiro livro não chegaram a ser lançadas no mercado editorial brasileiro)
A História
Nesta minissérie que adapta um dos episódios mais brutais e marcantes do livro O Pistoleiro, a poeirenta e isolada cidade de Tull transforma-se em um verdadeiro necrotério a céu aberto. Após ser seduzido e enganado pelas manipulações do Homem de Preto (Walter O’Dim), Roland Deschain vê a população local ser envenenada por um fanatismo religioso e assassino instigado pela pregadora Sylvia Pittston. Quando toda a cidade — tomada por uma loucura profana e armada com facas, machados e fúria cega — se volta contra o Pistoleiro sob a justificativa de estar “expurgando o demônio”, Roland é forçado a tomar uma decisão implacável: para sobreviver e continuar sua busca obstinada pela Torre Negra, ele executa sistematicamente cada cidadão de Tull, incluindo homens, mulheres, velhos e a própria pregadora.
Análise
A Batalha de Tull traduz com fidelidade cirúrgica a veia mais crua, fria e niilista da prosa de Stephen King. Peter David e Robin Furth constroem uma narrativa em escala ascendente de tensão, em que a paranoia sufocante da pequena cidade explode em uma sequência de ação trágica e sem espaço para redenção. O roteiro não alivia o peso moral dos atos de Roland, mostrando o preço de sua obsessão e o desapego humano que o define neste ponto da jornada.
A arte traz a estreia de Michael Lark (Demolidor, Gotham Central) nos lápis da franquia. O estilo visceral, realista e fortemente calcado no noir de Lark combina perfeitamente com a atmosfera poeirenta, suja e claustrofóbica de Tull. A Batalha em si é desenhada com um dinamismo impressionante e frenético, onde os disparos dos revólveres de Roland cortam a fumaça e o caos. A colorização magistral de Richard Isanove banha a cidade em tons quentes de amarelo-pobre, terracota e vermelho-sangue, ressaltando o calor escaldante do deserto e a natureza sangrenta do massacre. Inédito no Brasil, este volume é um marco fundamental para compreender a natureza fria e implacável do último Pistoleiro de Mid-World.