N. (2010)
Ficha Técnica
Título da HQ: N. (Stephen King’s N.)
Baseado em: Novela N. (publicada na coletânea Ao Cair da Noite / Just After Sunset, 2008) de Stephen King
Roteiro / Adaptação: Marc Guggenheim
Arte / Ilustração: Alex Maleev (Lápis e Nanquim) e José Villarrubia (Cores)
Editora Original: Marvel Comics
Período de Publicação Original: Março de 2010 – Junho de 2010 (Minissérie em 4 edições)
Editora no Brasil: DarkSide® Books (Publicado em 2018 na coleção DarkSide Graphic Novel, em volume único, capa dura, 128 páginas, com luva/caixa protetora e tradução de Érico Assis)
A História
Adaptada diretamente da célebre novela de horror cósmico de Stephen King, a HQ estrutura sua narrativa em uma espiral de cartas, diários e transcrições médicas. A história gira em torno do Dr. Johnny Bonsaint, um psicanalista que cometeu suicídio e cuja irmã tenta entender os motivos de sua trágica decisão. Ao investigar os arquivos do médico, ela descobre os relatos das sessões com um paciente anônimo identificado apenas como “N.”. O paciente sofre de um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) severo e paranoico, baseado na compulsão de contar e alinhar objetos em números pares para conter o que acredita ser a invasão do fim do mundo. “N.” revela ter visitado um campo isolado em Maine chamado Ackerman’s Field, onde observou uma formação de pedras no estilo Stonehenge que esconde um portal para uma dimensão alternativa habitada por Cthun, um monstro profano e indescritível. À medida que o psicanalista tenta tratar “N.”, a obsessão e o pavor cósmico provam ser assustadoramente contagiosos.
Análise
N. é uma das homenagens mais diretas e declaradas de Stephen King ao horror lovecraftiano e ao clássico O Grande Deus Pan, de Arthur Machen. A transposição para a arte sequencial, roteirizada por Marc Guggenheim (conhecido por trabalhos em X-Men e séries de TV), é precisa ao transformar uma narrativa densa e epistolar em um thriller psicológico claustrofóbico, mantendo o questionamento constante sobre a fragilidade da mente humana versus a existência de um mal ancestral.
A arte de Alex Maleev (Demolidor) é o casamento perfeito para essa atmosfera. Maleev utiliza um estilo cru, sujo, fotográfico e fortemente sombreado, ideal para traduzir a angústia dos rostos, a deterioração mental progressiva dos personagens e o mistério perturbador que ronda Ackerman’s Field. As cores sóbrias e frias de José Villarrubia acentuam a sensação de paranoia e isolamento.
No Brasil, a DarkSide Books lançou uma das edições mais memoráveis da linha de quadrinhos do autor no país: um acabamento de luxo em capa dura, formato grande, papel de gramatura alta e luva protetora especial. É um item indispensável para fãs de horror psicológico, H.P. Lovecraft e para colecionadores da obra de Stephen King em quadrinhos.