A Torre Negra: Traição (2008)
Ficha Técnica
Título da HQ: A Torre Negra: Traição (The Dark Tower: Treachery)
Baseado em: Elementos e conexões do universo expandido da saga A Torre Negra (The Dark Tower) de Stephen King
Roteiro / Adaptação: Peter David (com enredo e supervisão de Robin Furth e consultoria executiva de Stephen King)
Arte / Ilustração: Jae Lee (Lápis e Nanquim) e Richard Isanove (Cores)
Editora Original: Marvel Comics
Período de Publicação: Setembro de 2008 – Fevereiro de 2009 (Minissérie em 6 edições)
Editora no Brasil: Editora Panini (Publicado em minissérie e encadernado em capa dura) / Suma
A História
Após a cansativa e traumática viagem de volta, Roland Deschain e seu ka-tet finalmente chegam à baronia de Gilead com a Tormenta Rosa. Contudo, em vez de alívio, a fortaleza encontra-se imersa em paranoia e decadência moral. Obcecado pelas visões assustadoras e pela atração hipnótica da esfera mágica de Maerlyn, Roland começa a perder a sanidade e a afastar seus amigos mais leais, Alain e Cuthbert. Enquanto o jovem pistoleiro definha na escuridão de seu próprio quarto, uma teia de conspiração e alta traição se alastra pela cúpula do governo: Marten Broadcloak continua a manipular os bastidores, e Gabrielle Deschain, a mãe de Roland, é levada a participar de um complô mortal para assassinar o próprio marido, Steven Deschain.
Análise
Traição marca o terceiro volume da cronologia em quadrinhos e se estabelece como um dos capítulos mais sombrios, trágicos e introspectivos da juventude de Roland Deschain. Criada originalmente para a mídia sequencial por Robin Furth e Peter David sob a chancela de Stephen King, a história detalha a ruína emocional da família Deschain e a ruína política de Gilead — eventos que no texto literário original eram apenas citados como passagens distantes e dolorosas de memória.
A parceria artística entre Jae Lee e Richard Isanove atinge aqui um tom denso e novelesco. Lee utiliza enquadramentos focados em expressões faciais carregadas de dor, olhar distante e sombras alongadas que reforçam o clima de desconfiança nos corredores do castelo. O uso das cores de Isanove é cirúrgico: tons frios de azul e cinza dominam as cenas de isolamento de Roland, contrastando fortemente com os flashes em vermelho vívido emanados pela esfera de Maerlyn. É uma narrativa potente sobre ciúme, obsessão e tragédia familiar que pavimenta o caminho inevitável para a queda definitiva dos pistoleiros.